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biblioteca na sala


– Boa- noite, passarinho,

Onde é que tu vais dormir?

– Vou dormir num ramo verde

Com o luar a luzir.

– Boa- noite, passarinho,

Onde é que tu vais sonhar

-Vou sonhar no bosque verde

Tão verde à luz do luar.

– Boa- noite, passarinho,

Estás cansado de voar?

– Escondo a cabeça na asa

E já posso descansar.

– Boa noite, passarinho?

Não dormes dentro de casa?

– Se eu poiso num ramo verde

E o lençol é minha asa?

– Boa-noite, passarinho,

Qual é o teu candeeiro?

– São os olhos amarelos

Do mocho do castanheiro.

– Boa -noite, passarinho…

Um soninho descansado …

– Quando acordar de manhã,

Vou cantar ao teu telhado!

Texto de : Matilde Rosa Araújo


O espantalho fez o seu dever: espantou.

A seara fez o seu dever: alourou.

E os pássaros fizeram o seu dever:

Pousaram no chapéu de palha do espantalho;

Pousaram no ombros do casaco velho do espantalho,

Pousaram nos braços do casaco velho do espantalho,

Pousaram nas mãos de pau do espantalho.

E cantaram : Piu!Piu!Piu!

Quem tem medo

  Já fugiu!

   Quem tem medo

   Já fugiu!

E não se calaram.

Piu! Piu! Piu!

Quem tem medo

Já fugiu!

Texto de : Matilde Rosa Araújo


Uma formiga passeava ao sol

Sobre uma pedra de granito

Ia andando como se andasse

Sobre montes e vales

A mica de granito cinzento

Brilhava ao sol

E brilhou com mais ternura

E brilhou com mais ternura

Quando viu a formiga

A andar tão esforçada

– Amiga não te canses

Esta pedra é muito dura

E aqui não encontras nada para comer

Aqui … só pedra!

A formiga olhou-a comovida

 E murmurou no seu silêncio de formiga:

– Mica! Tanto sol pequenino nesta pedra

Cinzenta e escura .. Mas tão linda!

Vou chegar fe-li cís- si- ma ao meu celeiro.

Nem imaginas! Fe- li- cís- si-ma!

E continuou a caminhar mais leve com palavras tão compridas

Admirada por falar tanto.

Texto de : Matilde Rosa Araújo


Com as mãos sobre a terra

Fiz um pino e vi peixes de prata no céu

Estrelas de oiro sobre o mar

O céu era verde e azul

E o mar verde e azul também

Remavam remadores

No mar e no céu

Anjos e pescadores

Porque dormes minha Mãe

E me embalas a sonhar?

Texto de: Matilde Rosa Araújo


No meu prédio, um vizinho

passava horas sozinho

por não ter com quem brincar.

Como ele não pode andar,

é um amigo especial

que avistei do meu quintal.

Então, quis conhecê-lo,

Saí de casa e fui vê-lo.

Começamos a falar…

Agora, quando podemos,

aquilo que mais fazemos

é jogar pelas tardes fora.

Quando, enfim, me venho embora,

ele sabe que hei de voltar

para com ele jogar.

Assim, ganhei um amigo

muito parecido comigo,

mesmo sem poder andar!

Texto de : Maria Teresa Maia Gonzalez, Tantos meninos diferentes e todos surpreendentes, Texto Editores