Tantas cartas, Senhora Befana! IV


– Oh, olá Pilú ! – gritou Max, que não parecia muito satisfeito por ter de ajudar Pérola, mas, tratando-se de uma gatinha tão bonita, nunca conseguia negar-lhe nada. Pérola tricotava umas meias com lãs de cores que queria oferecer aos seus companheiros de quinta no dia 6 de Janeiro.

– Tu não quererás também umas?- perguntou ela — Claro que escreveste uma carta à Befana, não escreveste?

– Bem, bem…

Ouviu -se tocar a sineta próximo do estábulo, o carteiro chegara. Dulcineia e a irmã Desdémona estavam já à porta, prontas para entregar os seus envelopes, Sissi fora de casa num instante assim ouvira a voz de Hélio, que já trabalhava nesta zona há uns sete anos e e era inconfundível quando gritava «Correio! Cooo-rreio!»

Os animais aglomeravam-se à porta.

– Mas faltam os selos – observou o carteiro.- Assim não posso aceitar as cartas, lamento muito – e o pombo correio foi-se embora exatamente como havia chegado, com o saco castanho vazio.

Depois de uma viva discussão sobre o que deveriam fazer. Nero pediu a palavras, seguido da Nuvem, e depois o papá coelho, que a mãe coelha tratava afetuosamente por Pluminhas, para tentarem organizar propostas e chegar a uma decisão. Combinaram então fazer uma excursão até ao posto dos correios para obter as informações necessárias e comprar os selos.

Os sorteados foram Ettore, Pilú, Cornélia e Verdina. O posto dos correios ficava ao lado do ulmeiro, na estrada para o moinho; reconhecia-se facilmente pela insígnia amarela  e pelo banco de madeira onde os clientes descansavam quando havia muita gente para atender.

 

– Selos para Befana… Disseste selos para Befana, não foi? Vejamos, vejamos… – Temístocles, o responsável pelo posto dos correios, procurava no meio de uns grandes livros cheios de folhas de papel e retirava as divisórias com os selos.- Selos para o Menino Jesus,para o Pai Natal… – ao mesmo tempo que ia procurando nas pastas que estavam em cima das mesas – Não, não me parece que haja os tais para Befana – concluiu o pato ajeitando os óculos na ponta do bico.

– Eu bem disse que as cartas só são para o Pai Natal…- comentou Pilú que, como resposta, foi olhado pelos outros com desagrado e não ousou continuar a conversa.

– Mas, se quiserem, vocês mesmos podem fazer um selo e pedir autorização à central de correios. Se conseguirem essa autorização, as cartas serão expedidas – foi o conselho de Temístocles.

A notícia suscitou um enorme entusiasmo na quinta ! Inventar um selo. e em tão pouco tempo! Era preciso deitar mãos à obra o quanto antes! Dispuseram alguns feixes de feno em fila cobertos por pano comprido que cobria o trator; por detrás dispuseram uns caixotes pequenos de madeira e o Pilú foi buscar o candeeiro ao poleiro. Sissi correra atá casa e, num abrir e fechar de olhos, retirara da escrivaninha uns cartõezinhos e pincéis.

Fariam dois selos: um redondo com uma estrelinha dourada para as cartas de quem fora um bocadinho bom e um bocadinho menos bom. As três galinhas e Cleofe recortaram uns quadradinhos: Dulcineia, Cornélia e Jimmy preparavam as rodelitas enquanto rápido, rápido, a Nuvem e a Pérola desenhavam um estrelinha. A senhora coelha, que o marido tratava sempre muito afetuosamente por Primulina, a sua querida amiga, a senhora Ratinha, e a Sissi dedicavam-se ao desenho da lua. Os pequenos Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá e Si,  com os quatro coelhinhos, tinham acabado de os colorir. Nero e o burro Palmiro foram , por sua vez, encarregados de passar a cola por detrás do selo que depois Ettore e Max colavam no envelope.

Em suma, a organização era perfeita!

Entretanto, a notícia sobre esta empreitada espalhara-se por toda a vizinhança, graças também, à bisbilhoteira da Cleofe que tinha falado com a prima que, por sua vez, tinha comentado a notícia com o marido na presença de Sofia, a gata que morava na casa cor-de -rosa perto do rio e que, ao longo do trajeto, encontrara os esquilos que viviam no pinhal perto do bosque. E, neste momento, numa procissão contínua, todos chegavam vindos dos arredores para arranjar o selo e carimbar a carta para Befana, e já se formara uma fila enorme que começava no portãozinho de entrada.

A azáfama era imensa: passar; verificar o endereço, perguntar « estrelinha, luazinha ?», colar o selo, passar, carimbar pum!, passar; devolver o envelope. E depois o vaivém recomeçava, desta vez na direção do posto dos correios onde Temístocles já estava meio louco, juntamente com o seu ajudante, a meter as cartas nos sacos para a expedição.(cont.)

 

 

Texto de: Bianca Belardinelli, Contos de Natal, Círculo de Leitores,2010

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