A floresta II


«…  Saltando e correndo, Isabel dirigiu -se para o pequeno bosque. Ia tão apressada que nem se lembrava de comer o pão que levava na mão. Ia cheia de curiosidade e de medo, pois temia que alguém tivesse destruído a sua obra.

Mas quando chegou à frente do velho tronco sorriu de alegria. A casa estava intacta, com o telhado de casca de plátano muito bem coberto de musgo e a porta de cana muito bem fechada. E tinha um ar extraordinariamente sossegado e confortável.

Isabel ajoelhou-se no chão e com cuidado abriu a porta.

Aquilo que viu deixou-a imóvel, muda, com boca aberta, com os olhos esbugalhados e as mãos erguidas e abertas no ar.

Durante alguns momentos o seu espanto foi tão grande que nem se podia mexer, nem podia pensar no que via.

Depois, devagar, esfregou os olhos. Abriu -os muito e murmurou:

– Estou a sonhar!

Pois dentro da casa tinha acontecido uma coisa extraordinária e incrível: em cima da cama estava deitado um verdadeiro anão.

Esse anão dormia. E dormia tão profundamente que até ressonava. A sua cara era vermelha como um morango e as pontas da sua longa barba tocavam no chão.

No meio do seu espanto, Isabel sentia uma grande alegria e uma grande ternura. Pensando bem parecia-lhe que durante toda a sua vida tinha estado à espera daquele anão. Encontrá-lo agora, ali, era uma coisa muito extraordinária mas também muito simples.

Mediu-o com o olhar e calculou que ele devia ter exatamente um palmo de altura.

– Os anões ainda são mais pequenos do que eu imaginava – pensou ela.

Apetecia-lhe acordá-lo, pois tinha a maior curiosidade de saber se ele falava e em que língua. Temia que existisse uma língua dos anões que ela não fosse capaz de entender. Pensou chamar baixinho por ele:

– Senhor anão!

Mas teve medo de o assustar. E resolveu esperar que ele acordasse.

Sem fazer nenhum barulho estendeu-se ao comprido no chão e apoiou a cara e as mãos. Era uma posição cómoda. Poderia ficar assim muito tempo a olhar enquanto ele continuasse a dormir.

O anão estava tapado com o cobertor mas a ponta  das suas botas estava descoberta. A sua cara, muito vermelha e cheia de pequeninas rugas, tinha uma expressão ao mesmo tempo alegre e sisuda. Uma das mãos estava de fora da roupa, poisada sobre a barba, e no dedo anelar brilhava um minúsculo anel de oiro.

Isabel não se cansava de olhar.

E pensava:

– Que coisa tão extraordinária! Fiz uma casa para um anão que não existia e o anão apareceu! …»

Texto de : Sophia de Mello  B. Andersen

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