Branca de Neve I


Naquela tarde, o príncipe Oriel resolveu apanhar ar. Foi buscar o seu cavalo preferido e saiu do reino. Mal atravessou o rio, sentiu um cheiro intenso a maçãs. Olhou em volta mas estava no meio de uma planície, sem árvores, nem arbustos nem nada que fosse terra a perdeu de vista.

“Donde virá este cheiro?”, pensou.

Decidiu então continuar o passeio, orientando-se sempre pelo forte aroma das maças. Subiu montanhas. Desceu vales. Atravessou desfiladeiros. E sempre o cheiro a maças a acompanhá-lo. Até que, muito longe, viu brilhar uma luz intensa. Curioso, dirigiu-se até lá. Então, diante dos seus olhos espantados, viu surgir uma gruta, donde saía toda aquela claridade – e onde o cheiro a maçã era ainda mais intenso. Desmontou do cavalo e entrou na gruta. Um pouco a medo, diga-se. Quem lhe garantia que lá dentro não iria encontrar um gigante, um feiticeiro, ou um ogre daqueles que comem pessoas – pelo menos nas histórias que lhe contavam em pequenino?

Mas no fundo da gruta estava apenas um caixão de cristal muito transparente e, lá dentro, a princesa mais bonita que os seus olhos alguma vez tinham visto.(Claro que ele não sabia se era princesa, mas lembrava-se de ouvir a mãe repetir muitas vezes que todas as meninas bonitas eram princesas…)

À  volta do caixão, sete anõezinhos choravam sem parar.

– Por que choram tanto? – perguntou Oriel

O mais pequeno de todos ergueu os olhos e exclamou:

– Não se vê logo?

Imediatamente os outros seis ergueram também os olhos e fizeram coro:

– Não se vê logo?

– Mau … – pensou o príncipe -, acho que não comecei da melhor maneira …

Mas logo o mais pequeno voltou a falar:

– Não vês que a Branca de Neve morreu?

“Branca de neve… “, pensou o príncipe, ” lindo nome para princesa. ”

Aproximou-se do caixão. Lá de dentro vinha um perfume tão forte a maçã que quase o fez perder o equilíbrio. Olhou então melhor para a princesa.

– Eu … eu acho que a Branca de Neve tem … – murmurou.

– Tem o quê? -gritou o anão mais pequeno.

– Tem o quê? – gritaram os outros em coro.

– … um bocadinho de maçã na boca!

(cont.)

Texto de : Alice Vieira

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: