O senhor do seu nariz I


“Custou-me muito nascer. Estava também desnascido, aconchegado, sem ter nada que fazer. Mas tinha de ser.

Foi então que apareceu a fada. Tinha duas asas fininhas que a mantinham no ar e trazia uma saia cor-de -rosa, muito rodada, que já não se usava.

Não foi convidada mas apareceu. Foi o que lhe deu.

Pousou a mão na minha testa e disse:

– A vida deste rapaz vai dar para o torto.

– Não diga isso – pediu a minha mãe, muito aflita.

– Digo, pois – voltou a fada. – Ele terá um nariz do tamanho de um chouriço. Por isso…

E foi assim que aconteceu. O tempo ia passando e o meu nariz crescia mais depressa do que eu. quando  parei de crescer tinha um nariz a perder de vista, mas continuava otimista. Um nariz do tamanho de um chouriço? Podia ser pior, dizia eu. E agora pergunto : não era pior se fosse do tamanho de um presunto? (cont.)

texto de: Álvaro Magalhães

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