Canção para Dirceu VI


“Fosse a fugir da cantilena ou fosse o que fosse, a verdade é que Dirceu se libertou das minhas mãos e, no seu andar cambaleante e pensativo, saiu da sala. Não voltámos a vê-lo neste Inverno.

Ou melhor: vi-o eu, há dias, quando, finalmente encontrei as minhas botas. Estavam esquecidas na arrecadação da marquise, dentro do caixote tombado, que derramara para o meio do chão sapatos fora de uso e papéis velhos. Ia arrumar aquela tralha, quando avistei, na zona obscura do caixote, a casca imóvel de Dirceu.

Parecia uma pedra, mas uma pedra onde latejasse um minúsculo coração entorpecido. Entorpecido ? Vai-se lá saber como funciona o coração de um cágado…”

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Texto de: António Torrado

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