Os sapatos do pai Natal


“Ao fim de três anos Já lhe tinha tomado o gosto e cumpria todas as tarefas do Pai Natal com uma facilidade enorme, tirando um pequeno pormenor; não arranjava sapatos de Pai Natal que me servissem ou que fossem suficientemente confortáveis. Por isso, ano após ano continuava a usar os meus velhos sapatorros.

Nesse ano, deixei o trenó na esquina, vim pela rua fora com o saco das prendas às costas e a tocar o sino. Bati à porta da minha casa. Apareceram as duas filhas. Entreguei-lhes as prendas e fui-me embora.

No dia seguinte, quando me levantei da cama, ali estavam as duas à minha frente, ainda em camisa de noite, a examinar os meus sapatos.

 – O que é que vocês estão aqui a fazer? – perguntei-lhes eu ainda meio estremunhado.

  – Estávamos a ver…! . respondeu a Matilde com um olhar um bocadinho amalandrado.

  – E queríamos fazer-te uma pergunta, pai – acrescentou a Sara, com o sorriso doce do costume.

  – Ó pai… – e aqui foram as duas ao mesmo tempo: – Porque é que o Pai Natal tem uns sapatos iguais aos teus?

 Já não sei o que lhes respondi. Mas percebi que o meu tempo de Pai Natal tinha chegado ao fim.”

Excerto ;com  supressões e adaptações; do texto “Os sapatos do Pai Natal ” de José Fanha

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